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Eu Voto Distrital


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19 respostas neste tópico

#1 Ives

Ives
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Postou 27 março 2011 - 19:50

Veja o site do movimento aqui!

O que é
#euvotodistrital é um movimento de cidadãos brasileiros, ou seja, de pessoas: trabalhadores, estudantes, empresários, usuários, sociedade, você, todo brasileiro que sonha por um País melhor e mais justo.

Nosso objetivo é aprovar pelo Congresso a emenda constitucional que torna o voto distrital (voto majoritário uninominal de dois turnos) o sistema eleitoral para eleição de deputados federais, estaduais e vereadores. Nosso prazo: setembro de 2011.

Entra ano, sai ano, sempre escutamos que a política brasileira nunca vai mudar, não é!? Bom, nós do movimento #euvotodistrital não concordamos com isso. Nos unimos para dar o primeiro passo em direção a um Brasil mais democrático. Queremos ser ouvidos com a devida atenção pelos nossos políticos e o voto distrital é o caminho para isto acontecer.

Aproximando a política do povo melhoraremos a qualidade da política brasileira. O voto distrital tem a capacidade de corrigir os defeitos do atual e sistema e possibilitar uma democracia mais participativa onde o cidadão é ouvido, fiscaliza e assim combate a corrupção.

O movimento #euvotodistrital pertence a cada um de nós. Você tem o poder de se unir e lutar pelos seus interesses. Compartilhe o #euvotodistrital com seus amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho etc.. Assine, participe das discussões, mobilize. Juntos sonhamos e realizamos a mudança que queremos.

Chegou a HORA de mudar a historia da política brasileira.

E o que não é
Uma organização
Um partido político
Uma ONG
Uma ação de governo
Projeto de uma empresa
Um movimento de esquerda ou de direita
Um grupo de políticos
Associação de classe
Igreja ou religião
Contra alguém ou algum grupo
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#2 Auri

Auri
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Postou 28 março 2011 - 10:18

Geralmente tenho boa vontade em participar de movimentos desse tipo, mas a última que o STJ aprontou é de desanimar qualquer um: Não só permitiu que vários crápulas voltaseem à política já nesta legislatura (imperou a mediocridade de novo), com também já está com umas conversas no sentido de acabar de vez com a lei da ficha limpa: já estão falando em inconstitucionalidade da lei, ou seja, vão jogar pelo ralo um projeto de iniciativa popular assinado por milhões de brasileiros um pouco mais esclarecidos, que só estavam pleiteando a expulsão de bandidos da política.
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#3 GuilhermeBuonfiglio

GuilhermeBuonfiglio
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Postou 28 março 2011 - 16:06

Este é um dos assuntos que eu não consigo definir o que é melhor.
Que há necessidade de uma reforma política profunda, disto não tenho dúvidas.

Para o Voto Distrital funcionar do jeito que eu gostaria, o representante tem que ser "reduzido à um mero representante burocrático do colégio eleitoral que representa".
Ele e seu gabinete teriam que receber as propostas e solicitações do seu colégio eleitoral, organizá-las, redigir conforme as exigência e defendê-las com total transparência, com um registro a cada ação, desde quando algum munícipe publicamente identificado solicitou, todas os textos e ações intermediárias, inclusive quem as executou e com as aprovações feitas, até sua apresentação no plenário, votação, resultado e ações seguintes. Tudo aberto, escancarado, na Internet, usando um sistema único gerido pelo Governo Federal mas auditável por qualquer cidadão.

Do jeito que está proposto, é muito superficial. Vai reduzir a quantidade de candidatos sim mas na prática só vai favorecer os lobbies mais fortes.

O que vocês acham?

Um grande abraço,
Guilherme
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#4 Giba

Giba
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Postou 28 março 2011 - 16:46

Sou mais pelo voto não obrigatório.
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#5 Ives

Ives
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Postou 28 março 2011 - 17:44

Vai reduzir a quantidade de candidatos sim mas na prática só vai favorecer os lobbies mais fortes.

Guilherme,
Pense nos 4 deputados federais que foram eleitos graças aos votos dados ao Tiririca. Quem vai cobrar coerência e ética deles? Quem votou no Tiririca? Eles nem sabem quem são esses 4. Nem eu lembro quem são. Se eu fosse um lobbysta picareta, querendo aprovar algo sujo, iria procurar algum desses 4. Ou qualquer outro que também não foi eleito com votos próprios, porque esses não precisam se explicar a praticamente ninguém.

O voto distrital obviamente não é uma fórmula mágica contra o lobby ilegítimo, mas melhora muito a fiscalização do legislador.
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#6 Ives

Ives
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Postou 28 março 2011 - 17:55

Sou mais pelo voto não obrigatório.


Voto facultativo é ótimo, mas não corrige as piores distorções do sistema eleitoral atual. Um voto de Rondônia vai continuar valendo 22 vezes mais do que o de São Paulo. Dos 529 deputados federais, vamos continuar tendo somente 36 realmente eleitos - e os outros todos puxados pelo "coeficiente partidário".
  • 0

#7 Ives

Ives
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Postou 01 abril 2011 - 13:30

Caceldas...
Quando o assunto é sério ninguém dá a mínima...
<_<
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#8 GMT

GMT
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Postou 01 abril 2011 - 15:19

Caceldas...
Quando o assunto é sério ninguém dá a mínima...
<_<

De sério basta meu dia a dia! :/
  • 0

#9 Doutor Eduardo Thimberg

Doutor Eduardo Thimberg
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Postou 01 abril 2011 - 22:01

Ainda não entendi direito a reivindicação em suas minúcias.

Estou lendo a respeito.
  • 0

#10 Eugenio Resende

Eugenio Resende
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Postou 02 abril 2011 - 20:16

Caceldas...
Quando o assunto é sério ninguém dá a mínima...
<_<

O problema, Ives, é que 99,9% dos brasileiros não sabem o que é o sistema de voto distrital, coeficiente partidário etc. Preferem se acomodar na ignorância e dizer que todo político é fdp. Aí, votam num Tiririca da vida, ou num Romário, na esperança de que eles moralizem, de alguma forma, o Congresso. Mas não se dão conta de que os Tiriricas e Romários levam uma corja junto com eles, por conta de nossa legislação eleitoral. E continuam preferindo xingar todo político de fdp. Ou seja, nada muda - ao menos para melhor.

Acredito que o voto distrital melhoraria, e muito, a qualidade dos políticos. Sou plenamente a favor.
  • 0

#11 Doutor Eduardo Thimberg

Doutor Eduardo Thimberg
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Postou 04 abril 2011 - 11:33

Além de 99% não saber o que é o voto distrital, o movimento também não faz muita questão de explicar.

"#euvotodistrital é um movimento de cidadãos brasileiros, ou seja, de pessoas: trabalhadores, estudantes, empresários, usuários, sociedade, você, todo brasileiro que sonha por um País melhor e mais justo."

A este parágrafo vazio segue uma mistura de clichês e de auto-propaganda, sem esclarecer nada sobre o assunto a que se refere. Desse jeito fica ainda mais difícil criar mobilização do que já é normalmente. Quem recebe uma lauda destas vai ter que sair do e-mail (neste caso, do Forum) e ir atrás para pesquisar, já que não o panfleto não tem nenhum detalhe técnico ou objetivo sobre qual a diferença entre o voto distrital e o método atual.

Linha errada de abordagem tendo em vista a esmagadora maioria dos eleitores brasileiros.
  • 0

#12 Mortari

Mortari
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Postou 04 abril 2011 - 17:58

O problema, Ives, é que 99,9% dos brasileiros não sabem o que é o sistema de voto distrital, coeficiente partidário etc. Preferem se acomodar na ignorância e dizer que todo político é fdp. Aí, votam num Tiririca da vida, ou num Romário, na esperança de que eles moralizem, de alguma forma, o Congresso. Mas não se dão conta de que os Tiriricas e Romários levam uma corja junto com eles, por conta de nossa legislação eleitoral. E continuam preferindo xingar todo político de fdp. Ou seja, nada muda - ao menos para melhor.

Acredito que o voto distrital melhoraria, e muito, a qualidade dos políticos. Sou plenamente a favor.

Acho que você exagerou um pouco, Eugênio.

Apesar de eu ter uma idéia básica do que seja o voto distrital, eu não sei a fundo como funciona esse sistema e nem como funcionaria, na prática, para estados demograficamente muito heterogêneos como SP, por exemplo, onde a concentração populacional na capital é absurdamente maior do que no interior (pra citar uma das inúmeras dúvidas). Isso não significa que eu prefiro me acomodar na ignorância e votar em Tiririca ou Romário para moralizarem o congresso (aliás, por definição, "moralizar" não combina muito com as duas figuras).

A idéia é interessante e a iniciativa é louvável (como qualquer outra iniciativa séria que tenha por finalidade melhorar a sociedade em qualquer âmbito), mas concordo com o DET, o site do movimento está muito pobre de informações. Talvez, com a intenção de conseguir apoio dos "eleitores irracionais" (aqueles que votaram no Tiririca, Romário etc.), eles buscaram explicar o que é o voto distrital de uma forma bem simples, direta e de fácil compreensão. Isso é legal pois expande a abrangência do publico-alvo do movimento, mas poderiam deixar disponíveis alguns textos com um pouco mais de conteúdo (ou pelo menos algumas fontes) para os "eleitores racionais" que querem saber o que estão apoiando de fato.

Algumas dúvidas que tive logo de cara e que não encontrei explicação no site do movimento:

- Como seria a distribuição de eleitores por estados, continuaria com o piso e teto de 8 e 70?

- Os distritos teriam por base uma divisão demográfica do território, mas tomando por base o universo estadual ou nacional? A Grande SP, por exemplo, teria 4 ou 5 distritos enquanto todo o estado de Roraima teria 1? Ou seriam X distritos por estado e, esses, repartidos demograficamente?

Não que eu não seja capaz de conseguir essas informações de fontes externas, mas seria muito pertinente ter essas referências no site.

Além disso, faltou alguém assinando a responsabilidade do movimento, ou pelo menos das informações inseridas pelos que assinam a petição, com um termo de privacidade bem claro e de acesso visível. Talvez por já ter sido vítima de clonagem de CPF e estar até hoje com problemas por conta disso, eu seja meio rigoroso e até "chato" em sair inserindo informações pessoais em sites da internet, mas eu não senti nenhuma firmeza para fornecer minhas informações pessoais no site do movimento. Não estou dizendo que o movimento não é sério, mas em nenhum lugar do site eu achei alguém para cobrar responsabilidade caso as informações que eu inserir ali vazem para listas de spam ou algo pior. Isso é importante.
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#13 Eugenio Resende

Eugenio Resende
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Postou 07 abril 2011 - 00:38

Verdade, usei um pouco de exagero em minha resposta, Mortari. Mas, basicamente é isso mesmo. A grande maioria dos eleitores não sabe o que é o voto distrital. O brasileiro, tradicionalmente, é avesso à política de modo geral. Não se interessa pelo assunto e não dá a importância que ela tem. Soma-se a isto o fato de nossas escolas não ensinarem nada sobre política. E nossos políticos têm interesse em que os eleitores permaneçam na ignorância mesmo. Assim, eles podem continuar a mentir e omitir descaradamente. É a política do pão e circo.

O que sei sobre o voto distrital também é o básico. Não sei detalhes sobre a proposta mas, certamente, não teria como ser pior do que o atual sistema.

Quanto aos exemplos do Tiririca e Romário: muitos eleitores, de saco cheio com candidatos que eles nunca ouviram falar, preferem votar em pessoas conhecidas, mesmo que seja pela TV. Não é seu caso e nem o meu, pois jamais votaria nesses dois. E não é só o povo de menos cultura, não. Quando o Enéas foi candidato a presidente mais de uma vez, cansei de ouvir pessoas conhecidas dizerem que iriam dar o voto a ele, como forma de protesto. Assim como aconteceu com o Tiririca: muita gente votou nele para protestar (o famoso voto Cacareco). E termina por ser um protesto burro, pois o cara não sabe ler e escrever, não conhece nada, já nomeou duas pessoas que participam da A Praça é Nossa como assessores e só vai enriquecer nos próximos anos.

Enfim, temos de fazer alguma coisa para fazer com que os políticos se mexam e seja feita uma reforma. A mudança do sistema de votação já seria um grande passo, imho.
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#14 Giba

Giba
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Postou 07 abril 2011 - 10:27

É por isso que eu defendo o voto não obrigatório como prioridade. Todo mundo sabe o que significa. Após um tempo, os eleitores, ou seja, pessoas talvez um pouco mais esclarecidas e, no mínimo mais interessadas, poderiam começar a discutir outras melhorias.

Não se esqueçam que tudo são processos de médio/longo prazo. Historicamente, ontem vivíamos uma ditadura militar. Até hoje tem gente que defende a volta deles ao poder. Não viveram ou não aceitaram o processo ocorrido nestes vinte e poucos anos.
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#15 Ives

Ives
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Postou 08 abril 2011 - 16:37

Além de 99% não saber o que é o voto distrital, o movimento também não faz muita questão de explicar.

Linha errada de abordagem tendo em vista a esmagadora maioria dos eleitores brasileiros.

Explica nessa página aqui, mas realmente muita gente vai parar logo no começo. Talvez seja uma boa idéia mover esse texto para a primeira página. Vou sugerir a eles, obrigado.
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#16 Ives

Ives
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Postou 08 abril 2011 - 16:40

mas poderiam deixar disponíveis alguns textos com um pouco mais de conteúdo (ou pelo menos algumas fontes) para os "eleitores racionais" que querem saber o que estão apoiando de fato.

Não sei se existe na Internet, vou procurar. Provavelmente, só mesmo em livros de ciência política ou de direito constitucional.
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#17 Ives

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Postou 08 abril 2011 - 16:45

Algumas dúvidas que tive logo de cara e que não encontrei explicação no site do movimento:

- Como seria a distribuição de eleitores por estados, continuaria com o piso e teto de 8 e 70?

Não, seria abolida. Piso e teto no número de deputados é incompatível com voto distrital e esse seria um dos grandes méritos do sistema.

Algumas dúvidas que tive logo de cara e que não encontrei explicação no site do movimento:
- Os distritos teriam por base uma divisão demográfica do território, mas tomando por base o universo estadual ou nacional? A Grande SP, por exemplo, teria 4 ou 5 distritos enquanto todo o estado de Roraima teria 1? Ou seriam X distritos por estado e, esses, repartidos demograficamente?

Sim, cada distrito teria exatamente o mesmo número de eleitores. Isso seria muito fácil - na verdade já está feito pelo Tribunal Superior Eleitoral. É só "arranjar" as seções eleitorais adequadamente.
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#18 Ives

Ives
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Postou 08 abril 2011 - 17:03

Além disso, faltou alguém assinando a responsabilidade do movimento, ou pelo menos das informações inseridas pelos que assinam a petição, com um termo de privacidade bem claro e de acesso visível. Talvez por já ter sido vítima de clonagem de CPF e estar até hoje com problemas por conta disso, eu seja meio rigoroso e até "chato" em sair inserindo informações pessoais em sites da internet, mas eu não senti nenhuma firmeza para fornecer minhas informações pessoais no site do movimento. Não estou dizendo que o movimento não é sério, mas em nenhum lugar do site eu achei alguém para cobrar responsabilidade caso as informações que eu inserir ali vazem para listas de spam ou algo pior. Isso é importante.

Ótimo ponto. Vou repassar a eles, obrigado.

Verdade, usei um pouco de exagero em minha resposta, Mortari. Mas, basicamente é isso mesmo. A grande maioria dos eleitores não sabe o que é o voto distrital. O brasileiro, tradicionalmente, é avesso à política de modo geral. Não se interessa pelo assunto e não dá a importância que ela tem. Soma-se a isto o fato de nossas escolas não ensinarem nada sobre política. E nossos políticos têm interesse em que os eleitores permaneçam na ignorância mesmo. Assim, eles podem continuar a mentir e omitir descaradamente. É a política do pão e circo.

O que sei sobre o voto distrital também é o básico. Não sei detalhes sobre a proposta mas, certamente, não teria como ser pior do que o atual sistema.

Enfim, temos de fazer alguma coisa para fazer com que os políticos se mexam e seja feita uma reforma. A mudança do sistema de votação já seria um grande passo, imho.

Não há, ainda, uma proposta formalizada. Muita coisa precisa ser definida (a principal é a escolha entre voto distrital misto e distrital "puro").

A idéia do movimento é evitar que a comissão formada para a reforma política [composta por Renan Calheiros (!), Paulo Maluf (!!) e, acreditem, Valdemar da Costa Neto (!!!)] "mudem algo para não mudar nada". Só como exemplo: já está na pauta o financiamento público de campanhas políticas, mas curiosamente sem nenhum mecanismo de controle. Vai ser a oficialização da roubalheira. E, claro, há também uma articulação feroz em quase todo o Congresso contra o voto distrital. Eles sabem o que isso signficaria nos respectivos currais eleitorais.

A única coisa que pode evitar isso é um clamor popular com a mesma intensidade da do impeachment (que também era "impossível" de conseguir). Ou isso se repete, ou adeus reforma política e adeus voto distrital. :(
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#19 Ives

Ives
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Postou 13 abril 2011 - 22:04

Videozinho legal :) :

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#20 Giba

Giba
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Postou 24 maio 2011 - 18:54

Não sabia direito onde postar este texto e acabei postando aqui mesmo, que é o tópico mais recente que fala de política. O Ives que me desculpe.

Não gosto do Arnaldo Jabor, acho-o bem piegas e previsível, mas o texto dele de hoje no jornal O Estado de São Paulo (que também não gosto) está primoroso:




"Vivemos sob uma chuva de escândalos e denúncias de corrupção. Mas, não se enganem, esses shows permanentes nos jornais e TV, servem apenas para dar ao povo a impressão de transparência e para desviar seus olhos das reformas essenciais que mantêm nossas oligarquias intactas. Aos poucos o povo vai se acostumar à zorra geral e achar que tanta gente tem culpa que ninguém tem culpa. Me chamam de canalha, mas eu sou essencial. Tenho orgulho de minha cara de pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries. Enquanto houver 25 mil cargos de confiança no País, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adiantam CPI"s querendo me punir. Eu me saio sempre bem. Enquanto houver esse bendito Código de Processo Penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: "Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos".


Eu explico o Brasil de hoje. Tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição. Durante quatro séculos, homens como eu criaram capitanias, igrejas, congressos, labirintos. Nunca serão exterminados; ao contrário - estão crescendo. Não adianta prender nem matar; sacripantas, velhacos, biltres, vendilhões e salafrários renascerão com outros nomes, inventando novas formas de roubar o País.

E sou também "pós-moderno": eu encarno a "real-politik" do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, tenho algo de heroico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordeis; homens e mulheres veem-me com gula: "Olha, lá vai o ladrão..." - sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os maîtres se arremessando nas churrascarias de Brasília e eu flutuando entre picanhas e chuletas.

Amo a adrenalina que me acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, vibro quando vejo os olhos covardes dos juízes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar... Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles, sim, humilhados em vez de mim.

Sou muito mais complexo que o bom sujeito. O bom é reto, com princípio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação.

Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem úlcera. Eu sou uma aula pública de perversidade. Eu não sou um malandro - não confundir. O malandro é romântico, boa-praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu faço mais sucesso com as mulheres - elas ficam hipnotizadas por meu mistério; e me amam, em vez do bondoso, que é chato e previsível. A mulher só ama o inconquistável. Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre se sentirão injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não; não espero recompensas, eu me premio e tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita. Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la - suprema inveja dos meros neuróticos e sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo; ou sou vítima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado. Pois é, eu comprei meu título de advogado; paguei um filho de uma égua para me substituir no exame e ele acertou tudo por mim. Eu me clonei.

Subi até a magistratura. Como juiz e com meu belo diploma falso na parede, vendi muitas sentenças para fazendeiros, queimadores de florestas, enchi o rabo de dinheiro. Passei a ostentar uma dignidade grave, uma cordialidade de discretos sorrisos, vivendo o doce frisson de me sentir superior aos medíocres honestos que se sentem "dignos"; digno era eu, impávido, mentindo, pois a mentira é um dom dos seres superiores. A mentira é necessária para manter as instituições em funcionamento. O Brasil precisa da mentira para viver. E vi que é inebriante ser cruel, insensível, ignorar essas bobagens como a razão, a ética, que não passam de luxos inventados pelos franceses, como os escargots.

Aí, com muito dinheiro encafuado, bufunfas e granolinas entesouradas, eu me permiti as doçuras da vida e me apaixonei por aquela santa que virou mãe de meus filhos. Hoje, com a passagem do tempo, ela vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de botox, mas continuo fiel a ela como o marido público, pois nunca a abandonarei, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

E, aí, fui criando a minha rede de parentes e amigos; como é doce uma quadrilha, como é bela a confiança de fio de bigode, o trânsito cordial entre a lei e o crime... Assim, eu fechei o ciclo que começou na mãe lavadeira e no diploma falso até a minha toga negra, da melhor seda pura que minha esposa comprou em Miami, e não fui feito desembargador nas coxas não; eu já sabia que bastavam padrinhos e meia dúzia de frases em latim: "Actore non probante, reus absolvitur!" (frase que muito me beneficiou vida a fora.) Depois, claro, fui deputado, senador e sou um homem realizado. Eu sou mais que a verdade; eu sou a realidade. Eu e meus amigos criamos este emaranhado de instituições que regem o atraso do País. Este País foi criado na vala entre o público e o privado. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. O Brasil precisa de mim."
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